Ricardo Rangel

Notas sobre uma eleição

10.10.2018 escrito por Ricardo Rangel

1

O resultado de domingo passado deixa claro que a esmagadora maioria da população:

1. não aguenta mais os desmandos do PT
2. quer a segurança no centro do debate política
3. quer ver mantida a Lava-Jato
4. quer renovar a política

Os principais partidos tradicionais pagaram a conta por não se posicionarem claramente sobre nenhum desses pontos.

Deputado há sete mandatos, candidato por um partido de aluguel como tantos outros, Bolsonaro está longe de representar uma renovação efetiva, mas foi essa imagem que passou. E, como se sabe, o que importa não é o fato, mas a versão.

O único partido que se posiciona com clareza e sem rodeios sobre todos esses pontos é o Partido Novo, e não é por acaso que a candidatura de João Amoêdo, mesmo sem espaço na imprensa, foi a que melhor resistiu, e menos desidratou, à onda Bolsonaro.

Em suas primeiras eleições gerais, apesar do movimento pró-Bolsonaro, o Partido Novo fez 8 deputados federais, 12 deputados estaduais e pôs um candidato a governador no segundo turno. Há muito a comemorar.

Na próxima eleição, com espaço na mídia, Amoêdo será um candidato competitivo.

 

2

Dois anos atrás, o Rio de Janeiro teve um segundo turno entre Marcelo Crivella e Marcelo Freixo.

As forças tradicionais do centro tiveram dois anos para se preparar, e nada.

É muita incompetência.

 

3

A herança do PT

1. O maior esquema de corrupção do mundo
2. A maior recessão da história do país
3. A desmoralização da política
4. A ressurreição de uma direita intolerante e brutal
5. A divisão e o ódio entre a população civil
6. Um segundo turno entre dois extremos.

Muito obrigado, Luís Inácio. Valeu.

4

A votação do dia 28 é uma escolha entre extremos.

Um lado é autoritário, intolerante, divisivo, pratica o discurso de ódio e hostiliza a classe média e os ricos. Defende ditaduras estrangeiras, e atentou contra a democracia brasileira ao criar o maior esquema de corrupção do mundo. Na economia, foi responsável por um intervencionismo exacerbado que nos trouxe à maior crise econômica da história. O candidato é preposto de um criminoso condenado e preso, e recusa-se a reconhecer qualquer erro ou fazer qualquer tipo de autocrítica.

O outro lado é autoritário, intolerante, divisivo, pratica o discurso de ódio, e hostiliza mulheres, negros e homossexuais. Defende a ditadura brasileira de anos atrás, pregava o golpe militar até recentemente, e defende a tortura ainda hoje. Tem um discurso econômico contraditório, ora com propostas liberais inviáveis, ora com propostas intervencionistas arcaicas. O candidato é o mais despreparado para o cargo de nossa história, e recusa-se a reconhecer qualquer erro ou fazer qualquer tipo de autocrítica.

Precisamos de alguém que pacifique e reconcilie o país consigo mesmo e implemente uma política econômica sensata. Os dois lados nos prometem exatamente o contrário.

Compreendo e respeito quem identifica em um dos dois lados um mal menor, e vota nele. De minha parte, nada (nem mesmo Bolsonaro) me fará votar no PT, e nada (nem mesmo o PT) me fará votar em Bolsonaro.

Meu voto será em branco.

Seja quem for o vencedor, desejo-lhe bom senso e boa sorte. E espero, sinceramente, que mostre que estou errado em meu ceticismo.

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