Ricardo Rangel

A dança dos vices

06.08.2018 escrito por Ricardo Rangel

A escolha dos vices diz muito sobre a situação de cada candidato, sua visão e sua estratégia.

Alckmin escolheu Ana Amélia, do PP, uma senadora decente dentro de um partido indecente. É uma tentativa de não chafurdar demais na lama que é o centrão.

Lula indicou Haddad, que será o verdadeiro candidato a presidente, tendo Manuela como vice. De quebra, Lula mandou a negociação de Jacques Wagner com Ciro para tentar impedir o ocaso do PT para o beleléu.

Manuela tinha escolhido um sindicalista do qual nunca ninguém ouviu falar, pois a candidatura era só para cumprir tabela, e seria, como foi, abandonada. O que Manuela queria desde o começo era ser vice do PT.

Depois de ouvir “não” do PR, do PRP e de Janaína, e de desistir do príncipe e do astronauta, Bolsonaro escolheu Hamilton Mourão Filho para vice. Bolsonaro e Mourão formam a verdadeira chapa puro-sangue: ambos são militares, defensores da ditadura e de torturadores, e simpáticos a um golpe militar. Bolsonaro não tem apoio em lugar nenhum, preferiu apostar no risco total. É a “fuga para a frente”.

Isolado pelo PT, Ciro foi buscar uma candidata em seu próprio partido, Katia Abreu. Katia era da bancada ruralista, virou ministra de Dilma e lutou contra o impeachment. É considerada uma traidora entre muitos ruralistas. Combina com Ciro: como ele, Katia começou na direita e acabou na esquerda.

Marina escolheu Eduardo Jorge, do PV, uma das poucas alternativas que tinha dentro de sua própria visão de se manter longe dos conchavos.

João Amoedo, do Novo, manteve-se coerente com a visão de não compactuar com a velha política, e escolheu Christian Lohbauer, antes candidato a senador por seu próprio partido.

A candidata a vice do PSOL é a índia Sonia Guajajara, e desconfio que essa escolha não tenha nada a ver com Guilherme Boulos. Aliás, ninguém sabe bem o que Boulos está fazendo no PSOL.

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